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Promoção de mulher a general de Exército é conquista para o Brasil

Apr 3, 2026 IDOPRESS
General Cláudia Gusmão recebe espada e bastão de comando em solenidade no Clube do Exército — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

General Cláudia Gusmão recebe espada e bastão de comando em solenidade no Clube do Exército — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

A promoção da médica Claudia Lima Gusmão Cacho a general de brigada do Exército representa a primeira entrada de uma mulher no generalato no Brasil. Ela ingressou nas Forças Armadas em 1996 e fez carreira na área de saúde militar. Em 30 anos,ocupou cargos estratégicos no Nordeste,no Centro-Oeste e no Sudeste. Sua chegada ao alto da hierarquia é sem dúvida mais um incentivo para aumentar a participação feminina nas três Forças,atualmente em cerca de 10% do efetivo. Ainda assim,é apenas um primeiro passo num setor em que as barreiras à presença feminina em postos de comando costumam ser maiores que noutras ocupações.

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Presentes nas escolas que preparam oficiais e praças desde o século passado,as mulheres puderam participar do primeiro alistamento feminino voluntário apenas em 2025. A demanda surpreendeu: quase 34 mil inscritas para 1.465 vagas. Com a promoção de Claudia Gusmão a general,é provável que a procura cresça. O Brasil só tem a ganhar com isso. Mulheres jamais devem ser impedidas de seguir a vocação que quiserem,inclusive a militar. Uma vez nas Forças Armadas,não deve haver obstáculo a sua ascensão ao topo da carreira. Mulheres têm desempenho acadêmico melhor que homens em todas as fases do ensino. Na população com mais de 25 anos,há mais mulheres que homens com nível superior completo. Seria contraproducente o Brasil não aproveitar o talento delas.

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A promoção de Claudia Gusmão põe o Brasil na vanguarda global. Numa amostra de 30 países analisados pelas Nações Unidas em 2024,mulheres eram raridade nos postos mais altos do comando. “Em média,representam apenas 2% dos oficiais navais e 3% dos oficiais do Exército e da Força Aérea nesse nível”,diz o estudo “Rumo à igualdade de oportunidades para mulheres no setor de defesa”. Mesmo na Europa,onde a presença feminina costuma ser maior,muitos países não contam com mulheres generais. O último relatório da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre perspectivas de gênero mostra queda na proporção feminina nos postos altos da hierarquia. Mulheres generais são 0,01% do total. Entre os destaques positivos estão Austrália,Bangladesh,Canadá,França,Gana,Índia,Irlanda,Holanda,Nova Zelândia e Reino Unido.

A presença feminina nas Forças Armadas dos Estados Unidos tem retrocedido sob Donald Trump. A almirante Lisa Franchetti passou cerca de metade da carreira em missões no mar. Ascendeu ao comando de um contratorpedeiro e,anos mais tarde,chefiou a Sexta Frota no Mediterrâneo. Em 2023,no governo Joe Biden,tornou-se chefe de Operações Navais e a primeira mulher a ocupar assento permanente no Estado-Maior. Em fevereiro do ano passado,porém,foi demitida pelo secretário Pete Hegseth. Meses depois,a vice-almirante Shoshana Chatfield perdeu o cargo de representante americana no comitê militar da Otan. O retrocesso americano na área demonstra que as conquistas não estão garantidas. Precisam ser festejadas,mas também defendidas de forma constante.